POR: Paulo Rezende

Setenta e cinco anos é o tempo que demorou pra esse filme sair. Na verdade, há exatos 75 anos uma das personagens mais icônicas e importantes no mundo dos quadrinhos era introduzida ao público. E, depois de várias tentativas de adaptar sua história para séries e filmes de TV, finalmente temos o prazer de ver a Mulher-Maravilha arrebentando nas telonas do cinema. E olha, vou te contar: em um mundo cheio de filmes supérfluos e repletos de heróis ultra saturados como os Homens-Aranha, Batmans e Super Homens da vida, é realmente muito incrível ver que o universo cinematográfico da DC finalmente tenha se encontrado ao colocar uma personagem feminina como destaque de um longa. Em um meio hiper masculino, onde reinam os homens bombados e donzelas sensuais e indefesas, é justamente uma mulher que chega pra salvar esse gênero de filmes do buraco. E isso é simplesmente incrível!

O filme é estrelado pela maravilhosa Gal Gadot e dirigido por Patty Jenkins, outra moça super talentosa envolvida nesse projeto mega empoderado. Nele, acompanhamos a história da origem de Diana Prince (a.k.a. a Mulher-Maravilha), a heroína que nasceu e cresceu como a princesa da ilha de Themyscira. O lugar é um paraíso isolado do mundo dos homens, criado por antigos Deuses gregos. Lá vive um grupo super diversificado de guerreiras Amazonas superumanas, criando assim um universo mergulhado numa inegável vibe de Xena a Princesa Guerreira que eu tanto amo.

Tudo isso muda e passa a ser ameaçado com a chegada de um piloto que cai na ilha devido a um misterioso acidente de avião. Seria essa uma indireta pra sugerir que homem só serve pra estragar tudo? Não sei, fica a seu critério decidir depois de assistir ao filme todo. Hahahaha!

Daí em diante o filme engrena num ritmo super gostoso e empolgante de ação, aventura e comédia. Tão gostoso que, apesar de uma ou duas cenas um pouco arrastadinhas, você nem percebe as 2h20 de filme passarem. Parabéns roteiristas, rs. Contando com coreografias incríveis, efeitos especiais utilizados na medida certa e sequências de luta mega impressionantes e bem dosadas durante a projeção, o longa consegue introduzir a Mulher-Maravilha definitivamente como uma heroína forte e ágil ao universo de filmes da DC Comics. Em algumas cenas de batalha em slow motion eu realmente fiquei com vontade de tirar a camisa e rodar no alto gritando É ISSO AÍ GAROTA, CHUTA A BUNDA DELES! \o/

Somado a isso tudo, outro grande fator que faz com que este se destaque a outros lançamentos da produtora é o fato de que o filme não se leva tão a sério. Sim, caro leitor, se prepare pra dar gostosas gargalhadas com alguns momentos vividos entre nossa heroína e Steve Trevor, o piloto do avião acidentado vivido pelo próprio Ken humano, Chris Pine. Temos ainda bons momentos momentos pra quem curte um filme menos denso e mais cômico, vividos por alguns personagens secundários e até mesmo pela própria Diana ao ter que encarar novos costumes fora de sua ilha natal.

Somado ao roteiro que acerta na maioria de suas decisões, mas que carrega sim alguns tropeços, outros pontos fortes são os figurinos, trilha sonora e fotografia. Essa última, por sua vez, ganha um destaque especial ao separar muito bem os dois mundos explorados pela personagem principal. Enquanto a ilha de Themyscira é colorida, saturada e clara, o mundo dos homens e da guerra é mergulhado num universo cinza, frio e caótico.

Apesar de Mulher-Maravilha contar com um primeiro ato repleto de fantasia, mitologia, uma pitada de cafonice gostosa e um segundo ato incrível recheado de ação, humor e aventura, o filme peca um pouco em seu desfecho no terceiro ato. Senti falta de uma definição em torno de seu antagonista, culminando em uma “reviravolta” meio boba e até um pouco clichê, apenas para que se cumpra uma lógica que acontece na maioria dos filmes de super-herói que já vimos até hoje. Mas nada que, no fim das contas, estrague a experiência geral de assistir essa incrível introdução da personagem às telonas do cinema. Pode preparar a pipoca, poque esse filme vale preço do ingresso.

Nota:

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  • A ansiedade bateu!
    Estava morrendo de medo do filme não ser bom e só to vendo crítica boa! <3

    • Paulo Rezende

      Até agora, de 5 estrelas, a nota mais baixa que já vi um conhecido dar foi 3,5! E isso vindo de gente que é muito exigente com filmes, hahahaha! Eu fiquei muito feliz em ver que logo esse filme tá fazendo o sucesso que merece. Teve que vir uma mulher pra mostrar pra esses macho chato como que se faz um bom filme de heróis, <3333
      Obrigado pelo comentário, Divana!