POR: Paulo Rezende

Lá estava eu, uma semana antes da aguardada pré-estréia de um dos filmes mais esperados do ano por esse aqui que vos escreve. Rezando pro limite do cartão de crédito ainda não ter estourado (rs, quem nunca?), consegui garantir meu lugarzinho pra ver toda a gritaria e dedo no cu que Alien: Covenant vinha prometendo com seus trailers e divulgações promocionais. Veja bem, os filmes de Alien (em sua maioria) são de longe os meus favoritos do gênero de ficção científica, e as tentativas de não criar muitas expectativas em cima de mais um filme da saga foram inúteis. Eu podia simplesmente gritar de alegria quando chegou a hora de sentar e assistir. Podia, mas não foi muito bem o que rolou.

O filme é uma sequência do meu queridinho e confuso Prometheus, que por sua vez é antecessor do classicão Alien de 1989. Covenant dá nome à nave espacial central da história, e acompanha sua tripulação em uma expedição interplanetária com o objetivo de colonizar com vida humana um novo planeta. No meio do caminho, antes de encontrarem o seu destino final, eles acabam esbarrando em outro planeta com condições de vida ainda melhores. É aqui que a coisa começa a piorar para a tripulação e para os fãs que acompanham a telona com as mãos sujas de pipoca.

O grande problema desta nova instalação cinematográfica pode ser percebido logo de cara: seu roteiro. Trata-se de um filme que tenta ser denso, afim de criar uma mitologia épico-espacial que se esforça para entrar em uma grande e complexa família de filmes, mas que acaba por criar apenas um mero episódio em uma franquia que aparentemente não sabe mais qual tom adotar e por qual caminho seguir. É uma tentativa válida, porém falha, de fechar quase todas as pontas soltas deixadas pelo filme anterior. Se você espera que vai entrar para assistir Alien: Covenant e obter respostas para muitas perguntas deixadas por Prometheus, pode ir tirando o seu Xenomorfozinho da chuva, pois Covenant só te deixa com ainda mais perguntas e dúvidas na cabeça.

Um grande vacilo do filme é também a falta de desenvolvimento dos 15 (quinze!!!) integrantes da tripulação da nave. Repleto de personagens clichês, pouco carismáticos e completamente descartáveis, o filme entrega ótimas cenas com fotografia, edição e cenografia de tirar o fôlego, mas com desfechos desinteressantes ou genuinamente difíceis de compreender. Lógica e bom senso para esse povo que acaba de desembarcar em um planeta completamente desconhecido parecem não existir, e você começa a se perguntar como pode esse bando de tapado ter sido escolhido pra uma missão tão importante? Será que escolheram o primeiro punhado de pessoas que passaram na rua?

Outros dois pontos fracos (é, eu disse que as decepções foram muitas) são a trilha sonora e, em parte, os efeitos especiais. Veja bem, os cenários com complementos digitais, naves e tudo mais que se pode precisar para um filme espacial são sim muito bons. Mas é na parte mais importante que os efeitos de computação ficam difíceis de se engolir: nos Xenomorfos e suas variações. Em determinados momentos dá até pra ficar na dúvida se não projetaram no cinema por engano uma versão inacabada do filme com alienzões mal-acabados e artificiais.

A música, por sua vez, só brilha quando repete melodias de seu filme antecessor, ou quando toca algumas versões de um grande clássico de Wagner. Fora isso, a trilha parece preguiçosa, genérica e completamente bizarra em alguns momentos. Em uma cena específica de luta, a melodia estranha somada a decisões bizarras do roteiro formam um megazord do “mas o que que é isso que eu tô assistindo”, e você se pergunta se entrou mesmo pra assistir Alien ou Kill Bill.

“Mas Paulo, esse filme então é um lixo e eu nem vou me dar ao trabalho de gastar minhas suadas Dilmas-Impeachimadas pra assistir a esse bosteio, certo?” Errado, caro leitor, nem só de cagadas no maiô se faz uma prequência a Alien. Tirando alguns personagens descartáveis, todas as atuações de um elenco que foi muito bem escolhido estão excepcionais. Com um destaque especial para Michael Fassbender, que interpreta não um mas dois androids com personalidades completamente diferentes: David e Walter. Katherine Waterston e Billy Crudup nos papéis de Daniels e Oram também pisam muito, de salto 15. Isso tudo somado ao visual incrível e ao fato de que por si só o filme se encaixar dentro de uma das franquias que mais amo, na minha humilde (e leiga) opinião, faz valer o preço do ingresso sim.

Num geral, mesmo que Alien: Covenant não tenha atingido a todas as minhas expectativas, eu tenho plena convicção de que sempre estarei na sala de cinema mais próxima pra acompanhar todos os filmes que envolvam esse universo repleto de ets, sangue e muito gore. Além disso, se comparado com outros chorumes intergaláticos como Vida, que também estreou em 2017, essa nova bomba dirigida por Ridley Scott nem fede tanto assim.

Nota:

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